Guess who’s back…
Após uma semana em solo tupiniquim, cheguei à mais óbvia das conclusões: não há lugar melhor que a nossa casa. Este talvez seja o maior dos ensinamentos que a Europa me proporcionou. Virei gente, como costumo dizer, e hoje dou muito mais valor aos pequenos detalhes que sempre cercaram minha velha rotina. Afirmo com todas as letras que tô feliz pra car@*$% de estar no bom e velho Brasa novamente e por ter atingido todos os meus objetivos na Irlanda em metade do tempo planejado.
Este texto já era para ter sido escrito e postado há alguns dias, mas o blog tende a ficar em segundo (ou terceiro, quarto…) plano quando seus amigos não deixam seu copo esvaziar, a família quer saber tudo o que ocorreu nesses sete meses longe de casa e o casal pretende continuar matando as saudades. Que Direto de Dublin o quê!
Pois agora surgiu uma brecha, então bora atualizar essa bagaça… A viagem foi excelente. Aliás, espetacular! Um presente que todo intercambista se deve dar antes de retornar ao Brasil. Nem mesmo o peso da mochila nas costas, as camas desconfortáveis, os quartos cheios, a alimentação ruim, os pequenos estresses da viagem e alguns dias de tempo feio foram suficientes para nos desanimar em um minuto sequer. Os melhores momentos da aventura estão guardados nas milhares de fotos e num caderninho de anotações, que pretendo divulgar nas próximas semanas.
Alguns números da viagem:
-26 dias
-10 países
-19 cidades
-6 voos
-18 trens
-2 balsas
-8.812 fotos (somadas as minhas e da Jéssi)
Um dia após retornar a Dublin, show do Blink-182. Vinte e duas faixas para relembrar os velhos tempos de adolescência. Infelizmente, o evento foi uma porcaria, mas vale como mais uma banda legal no meu currículo de shows.
Resultado da promoção:
O ganhador da camiseta irlandesa foi Luiz Vinicius Izidorio Vidal, de Santa Cruz do Sul/RS. Ele apostou que eu faria 6.223 fotos durante a viagem. Errou por apenas 183 cliques: 6.406 foi o total — muito aquém do que eu esperava. O pacote já foi enviado e deve chegar em poucos dias à casa do Luiz.
Abraços a todos!
Recesso e promoção
Enfim, o melhor momento do intercâmbio: mochilão e volta para casa. De 5 a 30 de agosto, Jéssi e eu viajaremos por dez países da Europa; em 2 de setembro, retornaremos ao Brasil. Serão 26 dias de aventura pelo Velho Continente, a tão esperada oportunidade de incrementar meu mapa-múndi pessoal…
Meu objetivo de vida é chegar muito próximo de pintar todos os países do mapa. Conhecer novos lugares se tornou um vício — uma pena que seja tão caro de manter.
Em virtude da viagem, o Direto de Dublin vai entrar em período de recesso. É hora de se desligar de tudo e de todos e apenas curtir a aventura. Não posso garantir se o próximo post será escrito ainda em solo irlandês ou já no Brasil — vai depender de quão ocupado estarei nesses dois dias que restarão em Dublin após o mochilão.
Portanto, para que ninguém fique quase um mês inteiro sem ter o que ler neste espaço, aconselho que acompanhem os blogs listados na coluna à direita ou revejam meus velhos posts:
Brasileira é presa por fumar em voo internacional
Rugby: o esporte dos irlandeses
Lights out! Guerrilla radio! Turn that shit up!
FAI lança o campeonato irlandês de futebol 2010
O decepcionante St. Patrick’s Day
Rivalidade que atravessa o Atlântico
Amsterdã, uma volta no passado
Green Day: welcome to paradise?
O melhor apartamento da Irlanda
Como forma de agradecimento às milhares de visitas e centenas de comentários, o Direto de Dublin vai presentear um leitor com uma camiseta referente à Irlanda:
-Para concorrer, basta acertar o número total de fotografias que vou tirar durante o mochilão. Difícil? Tá bom, quem chegar mais perto leva!
-Os interessados precisam deixar um comentário nesse post com os seguintes dados: o ‘chute’, o tamanho da camiseta, seu nome completo, cidade onde vive e e-mail válido, para eu entrar em contato.
-Será aceito um palpite por pessoa, até o dia 30 de agosto à meia-noite (horário de Dublin).
-Todos os leitores que tenham residência no Brasil ou na Irlanda podem participar: desconhecidos, colegas, amigos, familiares, flatmates, leitores de primeira viagem… tá liberado!
Abraços a todos!
A ilha sem magia
Desde o último post, o Direto de Dublin está em clima de mochilão pela Europa. Isso significa que “viagem” continua sendo o assunto da vez. A começar, uma dica aos amigos do Brasil: se pensarem em fazer uma trip pelo Velho Continente descartem logo de cara Dublin e Belfast — capital da Irlanda do Norte. Aliás, nem cogitem vir até a ilha da Irlanda.
Não encarem como uma mágoa com a cidade onde vivi nos últimos seis meses. Longe disso. Fui muito bem acolhido em Dublin, que é uma baita cidade para se morar. Porém, o assunto deste post é turismo. Nesse sentido, as Irlandas deixam muito a desejar.
Dublin é a típica cidade em que você desembarca e se pergunta: “tá, mas vou visitar exatamente o que mesmo?”. A única atração turística de verdade é a fábrica da Guinness. De resto… Bom… Aaahm… De resto, tem o Spire, uma agulha gigante que não representa coisa alguma cravada no centro da cidade; a Oxford Street, um calçadão repleto de músicos pedindo dinheiro; a Ha’penny Bridge, uma ponte que liga as duas margens do Rio Liffey e possibilita o acesso dos pedestres ao outro lado, como qualquer outra ponte; e uma porrada de museus sem graça, que tomam de 10 a 0 das galerias das demais capitais europeias.
Já Belfast é uma mini-Dublin. Além de não ter atrativo algum, resolveram instalar uma cópia fajuta do Spire na catedral da cidade. A imitação é tão tosca que mede apenas 40 metros de altura, 80 a menos que o original. Fora isso, é possível visitar o buraco onde foi fabricado o Titanic (uaaau!) e… acabou. Ah, sim! O maior ponto turístico de Belfast são dois guindastes gigantes pertencentes à empresa Harland & Wolff, que construiu o navio que afundou e virou filme. Aí pergunto: que cidade no mundo tem como grande atração dois guindastes?
No restante da Irlanda existem alguns lugares que os nativos sempre indicam: a cidade de Galway, as ilhas Aran e o Parque Nacional de Wicklow. Há também a casa de verão do Bono Vox, vocalista do U2, em Killiney — acreditem se quiser, a residência do cara é considerada ponto turístico. Sinceramente, apesar dos três primeiros serem bonitos, nenhum deles me faria desviar um roteiro para ir até o país.
Já no interior da Irlanda do Norte há castelos por toda a parte, belas — porém, gélidas — praias e o local mais bonito de toda a ilha: a Calçada do Gigante. Perdida entre falésias enormes, a calçada é um grande conjunto de pedras sobrepostas que formam inúmeras escadinhas. Vou deixar as imagens falarem por si:
O lugar é legal pra caramba! Recomendo a visita com toda a certeza. Porém, não creio que valha a pena desviar um mochilão até a ilha para visitar só a Calçada do Gigante e a fábrica da Guinness — duas únicas atrações realmente interessantes das Irlandas. Até porque ambas ficam quase 300 km distantes entre si, ou seja, seria impossível conferi-las no mesmo dia.
E aí, galera de Dublin, o que acham? Concordam comigo ou aconselhariam visitar a ilha?
E o pessoal do Brasil? Considerariam uma boa ideia fazer turismo nas Irlandas?
Abraços a todos!
Eurotrip
Realizar um mochilão pela Europa faz parte dos planos da maioria dos intercambistas. Antes mesmo de sair do Brasil, o pessoal já projeta um roteiro, pesquisa locais interessantes para visitar, recebe conselhos de quem viajou há mais tempo…
A grande vantagem do mochilão é a mescla de economia com aventura: mochileiro que se preze dorme em albergue vagabundo e conhece a Europa à pé. São semanas (às vezes meses) de eternas caminhadas e noites mal-dormidas. Em troca, sobra dinheiro para conhecer mais países e também para trazer uma lembrancinha aos amigos do Brasil¹.
Desta vez não vou sozinho, como ocorreu em Pamplona. Até porque foram só três noites na Espanha, e a eurotrip vai durar 26 dias. Quem me acompanha nessa viagem é a minha digníssima. Sim! A Jéssi não aguentou as saudades e resolveu vir de Blumenau me buscar.
O mochilão começa dia 5 de agosto, em Londres, e termina no dia 30, em Marselha. A locomoção entre as cidades será via trem — Global Pass da Eurail pra a Jéssi e da Interrail pra mim² — e avião — Ryanair, como sempre. O roteiro já está definido:
Londres/GBR
Amesbury/GBR
Faro/POR
Lisboa/POR
Madrid/ESP
Barcelona/ESP
Roma/ITA
Capri/ITA
Nápoles/ITA
Veneza/ITA
Bolonha/ITA
Cracóvia/POL
Oświęcim/POL
Praga/CZE
Berlim/DEU
Hamburgo/DEU
Amsterdã/NLD
Alkmaar/NLD
Bruxelas/BEL
Paris/FRA
Marselha/FRA
A princípio o planejamento deve permanecer assim, mas mudanças não estão descartadas no decorrer da viagem — vai depender da nossa resistência. Em geral será um dia por cidade, mas algumas precisam de pelo menos dois e outras apenas meio.
Que a nossa aventura seja tão divertida quanto o filme Eurotrip. Com exceção dessa parte, é claro:
Porém, que venham várias dessas:
Abraços a todos!
P.S.1: Seja cara de pau e peça alguma coisa. Quem sabe a equação entre amizade e custo resulte num presentinho.
P.S.2: Cidadãos europeus ou imigrantes residentes no Velho Continente há mais de seis meses devem usar o serviço da Interrail. Já os turistas ou residentes há menos de seis meses precisam comprar o passe Eurail.
Vai deixar saudades (ou não)
Morar próximo ao centro e me locomover facilmente à pé aos locais mais importantes da cidade;
Inspirar um ar repleto de nicotina — chuto que uns 80% dos irlandeses fumam;
Conviver com cinco grandes amigos no mesmo apartamento;
Acordar no meio da noite com um roommate roncando feito um porco na cama ao lado;
Viajar para qualquer país da Europa a preços irrisórios quando quiser;
Ser discriminado em função da péssima imagem deixada por boa parte dos brasileiros que chegaram antes;
Assistir aos shows das maiores bandas do mundo ao lado de casa;
Ficar com medo de enviar ou pedir encomendas por causa do péssimo serviço do correio irlandês;
Sentir frio e usar casaco quase todos os dias;
Sair de casa com sol e tomar chuva na cabeça cinco minutos depois;
Acessar diariamente uma internet banda larga de 30mb;
Conversar com a família e amigos apenas via messenger e telefone;
Atualizar um blog de viagem e receber constantes feedbacks;
Depender de streamings para assistir aos jogos dos campeonatos do Brasil;
Ligar a televisão e não dar de cara com Galvão Bueno, Faustão e Ana Maria Braga;
Escutar o claríssimo sotaque irlandês diariamente;
Estar livre para fazer o que a consciência mandar, sem alguém para fiscalizar;
Ser expulso do pub às 3h da madrugada — máximo permitido pela lei;
Dormir tarde e acordar tarde;
Observar o sol às 22h e se perder completamente no tempo;
Experimentar dezenas de cervejas diferentes que custariam uma fortuna no Brasil;
Consumir cerveja em pints (copo de 568 ml) e sentir o líquido sagrado quente no último gole;
Viver numa capital com jeitão de cidade do interior;
Lutar bravamente por um emprego de faxineiro ou lavador de pratos e levar inúmeros “nãos” na cara;
Ouvir “obrigado”, “me desculpe” e “com licença” a todo o momento;
Comer carne ruim em função da ínfima variedade de cortes;
Ligar e trocar mensagens gratuitamente com todos os amigos;
Ver o céu completamente cinza quase diariamente.
Adicionado posteriormente:
Andar em segurança pela cidade a qualquer hora do dia;
Sentir cheiro de peido em todos os ambientes fechados — irlandês é o povo mais peidão do mundo!;
Atravessar a rua sem se preocupar em ser esmagado por um motoqueiro, raça inexistente em Dublin;
Olhar para os dois lados da rua três, quatro vezes até se acostumar (se conseguir) com a mão inglesa.
Abraços a todos!
P.S.: Esqueci de alguma coisa? Posta aí nos comentários que adiciono.












