Aaah! A primeira Guinness…
Enquanto não encontro o pote de ouro, começo a descobrir os prazeres de Dublin. Em menos de dois dias, percebi que não há cenário mais belo que o céu totalmente cinza, alegria maior que ver a escuridão às 17h e sabor tão impressionante como o de uma pint de Guinness.
Pint, para quem não conhece, é como os irish denominam o copo de 500ml 568ml – essa belezinha da foto acima. Uma medida perfeita se considerarmos que a cerveja é servida em temperatura ambiente. Mas não se assustem: com 5ºC lá fora, qualquer quantidade do suco sagrado de cevada pode ser bebido de maneira agradabilíssima.
Confesso que meu primeiro contato com este tesouro irlandês foi péssimo: uma latinha de Guinness no Brasil, gelada no freezer. Não entendo qual o intuito de levar uma preciosidade como esta dessa maneira para as terras tupiniquins. Aquilo parecia café gelado sem açúcar. O gosto do álcool era mínimo, escondido quase completamente pelo péssimo sabor dos meses de transporte e do estocamento. Enfim, não aconselho que gastem seus preciosos R$ 10,00 no Angeloni da Velha.
Porém, caso venham a Irlanda, não tomem uma Guinness sem me chamar! Se a Brahma Extra bem gelada é a companhia perfeita para uma roda de amigos, a tradicional cerveja irlandesa combina exatamente com um dia de turista em Dublin. É leve, como a surpreendente calmaria da cidade. Um pouco amarga, como o humor dos irish. Preta com espuma branca, como a mistura de línguas e sotaques encontrada a cada esquina. Tradicional, como a arquitetura e o conservadorismo do país. Cara, como o custo de vida da capital irlandesa.
O primeiro gole parecia não terminar. Aliás, nem deu vontade de finalizá-lo. A pint não desgrudava dos lábios, minha mão não largava o copo, o sabor não se dissipava na boca… Uma sensação quase comparável àquela famosa gelada após uma hora de futebol no sol. É claro que o copo não durou muito: saborear não significa beber devagar, mas com a calma necessária.
Ah, não lembro do último gole. Apenas recordo do meu desespero ao ver a pint a carteira vazias… Saí do pub com uma certeza: voltarei em breve. Com frequência.
Abraços a todos!
P.S.1: Tá tudo ótimo por aqui. Não precisam se preocupar.
P.S.2: Tomei uma pint de Carlsberg depois. É mais gostosa que a Guinness, mas não contem a ninguém!



A descrição da cerveja junto a comparação da cidade ficou simplesmente perfeita. Que orgulho desse jornalista!
Fico feliz por vocês estarem bem servidos do líquido sagrado. Depois da péssima experiência aqui nas terras tupiniquins sei que esse eram um dos maiores medos de vocês.
:*
P.s.: Já percebi que nem o fuso horário foi capaz de mudar seu hábito de dormir tarde.
P.s.: Me explique melhor, um dia desses, o poético início do teu texto. Gostou do céu nublado e da escuridão? Será que andas lendo romances de vampiro?
Jéssi
janeiro 28, 2010 em 11:03
Eu ia comentar a experiência com a cerveja, mas gostei tanto do texto, que vou encomendar um artgio de 2500 caracteres para o Linha Popular com o tema: Brasileiros na Irlanda.
Obrigado.
Fernando
janeiro 30, 2010 em 15:39