Direto de Dublin

Relatos de um jornalista brasileiro na capital irlandesa

Clima de alegria e decepção

com 2 comentários

Quem planeja uma viagem para um país completamente distinto precisa, entre várias coisas, analisar o clima do local antes de embarcar. Quando ainda estávamos no Brasil, descobrimos que o tempo em Dublin era parecido com o de Londres, sempre feio, cinza, chuvoso…

Nos primeiros três dias, não foi diferente. Nuvens cobriam todas as entradas possíveis de luz e ainda sacaneavam os habitantes e turistas com garoas esporádicas. Eis que hoje, ao acordar, notei uma claridade esquisita na janela. O pessimismo habitual me fez pensar que era a nova pintura no prédio da frente, até que enfiei a cabeça para fora e, pasmo, notei um céu azul, daqueles que nem em Blumenau se vê mais. É o tipo de situação que não abre margem para questionamentos: peguei a câmera e parti numa jornada solitária pela cidade.

The Irish flag

Liffey River: típico cenário dublino

The Four Courts, casa da Suprema e da Alta Corte irlandesa

O dia estava lindo demais para tomar um café da manhã. O tempo vira rápido por aqui, não pensei duas vezes antes de sair sem comer. Após 70 e poucas fotos de prediozinhos velhos e pontes, parei num Starbucks para tomar um café em homenagem ao Fox (promessa cumprida!). O capuccino dos caras é excelente, mas a comida vem com um tempero deveras forte. Quando terminava meu breakfast, ocorreu um fenômeno estranho: pedacinhos de gelo começaram a cair do céu azul. Virei a xícara num gole, coloquei a mochila nas costas e corri para contemplar a neve…

Sim! Neve, porra! Gelinhos cobriram parcialmente meu casaco e deixaram as calçadas escorregadias. A emoção foi grande, um dos meus maiores desejos pré-viagem era ver aquilo. Confesso que fiquei ressabiado, porque nunca havia presenciado antes – e a parada não tinha muita cara de neve. Aí perguntei para um irish na esquina se o tal fenômeno era “snow or what“. “Isso é o que acontece quando o sol brilha em Dublin”, respondeu o senhor, com um sorriso no canto da boca, tirando onda com o turista aqui.

Bom, os gelinhos caíram tão rapidamente que sequer consegui bater uma foto. Em cerca de três minutos vieram e se foram. A sensação de pegar aquelas pedrinhas na mão foi indescritível. Ah, ninguém leu errado, escrevi “pedrinhas” mesmo. Descobri horas após que foi apenas uma geada granizo. Aliás, duas, porque ocorreu de novo durante a tarde. Quebrei a cara e fui zoado por um irish. Mas tudo bem. Vi um lindo dia de sol, que me deu um baita ânimo para as próximas semanas.

Abraços a todos!

P.S.1: arrumei um apartamento! A vida de hostel termina na próxima segunda-feira.

P.S.2: descobri que jornalista brasileiro em Dublin é igual a descendente de alemão em Blumenau… Tem em todos os cantos!

Escrito por F.Pamplona

janeiro 30, 2010 às 1:11

Publicado em Experiências

2 Respostas

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  1. Já arrumou um ape? Animal, cara! Conseguiu com muita rapidez MESMO!

    Giovanni Ramos

    janeiro 30, 2010 em 14:57

  2. O céu tem sido uma verdadeira fonte de ânimo por aqui também. Seja com uma lua cheia maravilhosa, seja com um céu azul como o das fotos. ;)

    Jéssi

    fevereiro 1, 2010 em 14:05


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