Vida no hostel
O hostel (também conhecido como albergue) é um tipo de hospedagem bastante comum entre jovens que viajam pelo mundo. A preferência ocorre principalmente em função do preço desses estabelecimentos, muito inferior ao dos hoteis. Nesta primeira semana de Irlanda, optamos por passar nossos dias num albergue até encontrar um aparmento. O escolhido foi o Four Courts Hostel.
Sei que a maioria dos meus amigos nunca teve a oportunidade de dormir algumas noites num lugar como esse. Por isso, para aqueles que pretendem visitar os seis continentes, ofereço um post que conta um pouco mais sobre a vida num hostel. Como esta foi minha primeira experiência com albergues, o texto é baseado principalmente no que tenho vivenciado no Four Courts.
PRIVACIDADE
É em função da falta de privacidade que os hostels têm preços tão baixos quando comparados aos hoteis. No Four Courts, os quartos têm entre duas e 16 camas e os valores variam de € 10 a 50 por diária, de acordo com a data e o tempo de hospedagem. Portanto, sempre haverá muitas pessoas no mesmo espaço – possivelmente de outras nacionalidades.
Hoje, todas as seis camas do nosso quarto estão preenchidas. Há dois irlandeses, um argentino, um australiano, o Diogo e eu. Importante ressaltar que é possível escolher entre quartos masculinos, femininos e mistos. A galera dorme em beliches, amontoa as roupas pelo chão e sempre deixa algo em cima da cama para não perder o posto escolhido. O espaço não é dos maiores, por isso a bagunça reina.
Durante a noite, dormimos com a janela aberta. Mesmo com temperaturas negativas do lado de fora, a calefação é tão potente que é preciso deixar entrar um pouco de vento. Em cada cama há um cobertor e um travesseiro, já inclusos no preço.
No nosso hostel, os quartos possuem banheiro próprio, o que é uma mão na roda na hora de se trocar. O chuveiro tem água quente e não há necessidade de esperar para aquecer, basta acionar para a ducha vir pelando. Porém, tomar banho é uma tarefa complicada: para ligar o chuveiro é necessário apertar um botão na parede, que jorra água por apenas 20 segundos. Ou seja, se o hóspede não pressionar continuamente, o sistema simplesmente desliga.
Isso ocorre porque na Irlanda os habitantes não pagam pela água que consomem em suas casas. Por isso, há uma consciência da população em preservar o líquido. Bem diferente de um lugar que conhecemos…
REFEIÇÕES
Na linha da maioria dos hoteis, diariamente, das 7 às 9h30, temos café da manhã gratuito. No cardápio: pão de fatia, manteiga, geleia de morango, três tipos de cereais, leite e café. Isso, sem falar das quatro torradeiras e da máquina de café, que oferece desde capuccino a chocolate quente de graça durante as duas horas e meia.
Mas essa situação varia de albergue para albergue. No Isaac’s Hostel, por exemplo, existe a opção do café da manhã grátis ou pago. Os hóspedes podem escolher o que melhor convir com seu apetite.
O almoço e o jantar, assim como nos hoteis, têm que ser adquiridos fora do albergue. Porém, é possível trazer a comida e fazer a refeição no living room. Como não pretendemos gastar muito dinheiro, aderimos à moda brasileira em Dublin: Tesco! Um dos supermercados mais baratos da Irlanda, o Tesco vende, em suma, produtos de fabricação própria, de boa qualidade, similares às grandes marcas. Dias atrás, o Diogo, o Eduardo (paulista que chegou a Dublin conosco) e eu compramos pão, queijo, presunto, maionese e uma Coca-Cola de 2l por menos de € 8.
AMBIENTE
Nos dois hostels em que estive presente, observei uma grande concentração de hóspedes no living room. Existem algumas razões para isso:
- é melhor ficar num local com bastante gente diferente do que entocado no quarto;
- a lei irlandesa não permite beber nas ruas, então é ali que os hostelers consomem suas latas de cerveja;
- há internet wi-fi disponível, o que atrai uma boa quantidade de usuários de notebooks.
As paredes do hostel também revelam muito sobre a receptividade do local. Por todos os lados é possível ver cartazes com dicas de pubs, passeios e vida na Irlanda. Sem falar do bom humor, característica marcante do Four Courts Hostel. Em uma das paredes do living room há uma pintura deveras engraçada. É impossível não rir à primeira vista e depois tentar identificar todos os artistas.
Ah, após algumas horas no living room, ainda é possível conversar com pessoas de várias nacionalidades. Em quase uma semana, passaram franceses, alemães, brasileiros, argentinos, irlandeses, americanos, espanhóis, israelitas e australianos pelo hostel. Uma grande salada cultural.
SEGURANÇA
A segurança no hostel é uma questão de confiança entre os companheiros de quarto. Geralmente, cada hóspede tem, ao menos, duas malas. Uma delas, com a maior parte das roupas, fica na sala de bagagem ou num armário cadeado. A outra, com os artigos mais importantes, permanece com os usuários. Isso ocorre por dois motivos: para ter o essencial sempre ao alcance da mão e para poder guardar a cama.
No Four Corts, há câmeras de segurança em todos os corredores e locais de convivência entre hóspedes, tais como o living room e a sala de bagagens. Nos quartos elas não se fazem presentes, por isso é importante que haja a tal confiança entre os hostelers.
LOCALIZAÇÃO
Outro ponto positivo do Four Courts Hostel é a proximidade com o centro de Dublin. Tranquilamente, os hóspedes podem visitar os locais mais importantes da capital a pé. São apenas 1,3km até o Spire, escultura que demarca a região central.
Mas essa não é uma vantagem apenas do nosso hostel. No mapa abaixo, é possível observar uma quantidade enorme de albergues localizados perto do centro. Os pontos vermelhos marcam os hostels. Os verdes representam o Four Courts e o Spire.
No centro de Dublin há, ainda, a maior concentração de ônibus da cidade e uma estação de trem. Ou seja, os hostelers estão a um passo de qualquer lugar da ilha.
Uma boa semana, pessoal. Abraços a todos que tiveram paciência para ler os mais de 6.000 caracteres.








Antes de arrumar um ape em Floripa, eu fiquei uns dias hum hostel (já que os hotéis eram muito caros). Até que valeu a pena. No final da semana, sai pra festar por o povo que estava hospedado lá!
Giovanni Ramos
fevereiro 1, 2010 em 1:46
Muito legal tua descrição.
Aguardo uma do apartamento, se achar que não combina com o blog, pode ser por e-mail. : D
:*
Jéssi
fevereiro 1, 2010 em 13:44
Po, essa da economia de água achei muito massa. Complicado, mas interessante. Tipo da coisa que dá outra noção pro cara sobre os costumes do Brasil.
abraço
costadessouza
fevereiro 6, 2010 em 16:42
Valeu pela visita e pelo elogio!
Muito boas as dicas daqui tb!
Já te linkei!
Chego dia 23/03. Add nos msn, no blog tem o contato.
Abs!
Bruno Honorato
março 1, 2010 em 14:42