Direto de Dublin

Relatos de um jornalista brasileiro na capital irlandesa

À falência…

com um comentário

Eis que se inicia a minha quarta semana em Dublin. Às vezes, parece que eu já estou aqui há muitos meses; às vezes, tenho a sensação de ainda estar nas primeiras horas. É estranho, porque apesar de eu ter chego faz 21 dias, conheço grande parte da cidade e me locomovo a pé facilimente para todos os cantos. Por outro lado, esse ar europeu ainda é novo para mim, um tanto difícil de se acostumar.

Em três semanas, consegui ajeitar tudo o que precisava para me virar na Irlanda. Abri uma conta no banco, arrumei um apartamento, tirei o visto de trabalho e conheci bastante gente. Pode parecer pouco, mas não é uma tarefa simples se mudar para outro país e simplesmente se tornar parte daquela nova cultura. Porém, falta a parte mais importate: arrumar um emprego, porque o dinheiro vai muito rápido.

Todo mês, são € 216 de aluguel, por volta de € 100 no mercado, fora as contas de energia e internet. Mas aí o cara almoça fora de vez em quando, quer comprar uma coisinha aqui e ali, ter algum conforto como ocorria no Brasil e… Where is my fucking money?! A grana voa, não tem jeito.

E pior: a Europa te faz gastar esse dinheiro. Os eletrônicos são muito baratos em comparação ao Brasil. Os artigos esportivos, mais ainda. Toda vez que acesso a internet, fico babando num laptop espetacular, que custa a metade do que pagaria em terras tupiniquins, mas ainda assim é uma boa parte do montante que trouxe. Aí passo em frente às lojas de futebol e dá aquela vontade de adquirir a camisa da seleção da Irlanda ou de times ingleses – o valor não é alto, mas a quantia pode fazer falta mais pra frente. Em inglês, isso se chama window shopping, ou seja, ficar babando na vitrine.

Administrar a grana é uma tarefa ainda mais difícil quando o assunto é prazer musical. Shows difíceis de ocorrer no Brasil, para ser mais exato. Só neste ano, a ilha vai receber Pearl Jam, Kiss e Metallica, só para citar boas bandas que eu nem gosto tanto mas teria interesse em ir ao concerto. Mas, porra, em junho tem GREEN DAY e… RAGE AGAINST THE MACHINE!!! E lá se vão mais € 70 por ingresso, se eu consegui comprá-los, é claro.

A notícia do Rage Against The Machine saiu ontem à noite. Quando descobri, hoje de manhã, minhas mãos tremiam, meus olhos se encheram de lágrimas. É uma oportunidade única na vida! Para esclarecer, a banda terminou no ano 2000 por conflitos entre os músicos. Porém, desde 2007, eles fazem shows esporádicos ao redor do mundo. É como se tivessem voltado em banho maria. Sinceramente, eu já tinha me conformado que nunca teria a oportunidade de vê-los tocar ao vivo (assim como Bob Marley e Ramones, por motivos óbvios). Por isso, estou em êxtase. Acho que posso matar para conseguir um ingresso. É um dos maiores sonhos da minha vida…

Sexta-feira, parto bem cedinho para a frente da loja do TicketMaster no Shopping Center Jervis. Ao mesmo tempo, algum amigo vai ter que tentar comprar o ingressos pela internet para mim. Ambos abrem às 9h. Eu tenho que conseguir esses tickets de qualquer jeito… Dizem que acabam em menos de um minuto.

Se der tudo certo, volto com novidades na sexta-feira. Torçam por mim!

Abraços a todos!

Escrito por F.Pamplona

fevereiro 16, 2010 às 23:53

Publicado em Experiências

Uma resposta

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  1. Realmente Felipe aqui 1 semana parece um mês. O tempo voa e se a gente não souber administrá-lo voa junto. Estou aqui há 3 semanas, tenho meu visto oficial, estou trabalhando e indo na escola todos os dias. O que você falou sobre a adaptação num país diferente é muito intetessante. Uma coisa é você ir morar em SP, RJ ou até mesno na Paraíba, outra é você ir para Irlanda. Só nós sabemos o que enfrentamos. E como disse a Nadine no blog dela, em nossos blogs contamos apenas a metade da metade de tudo que acontece no dia a dia. Todos os dias surge algo novo, nossa! As vezes é assustador, mas como disse meu professor é um desafio. Não é a toa que a Irlanda é considerado um dos melhores lugares do mundo para viver e trabalhar. Não é a toa que o custo de vida aqui é um dos maiores do mundo. No ranking de 2009 Dublin foi considerado a 25ª cidade do mundo com maior custo de vida. Gostei muito do post. Ah aproveita o jogo por mim. Abraço

    Zenaide Peres

    fevereiro 17, 2010 em 21:34


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