O primeiro clássico
Clássico é clássico e vice-versa. Não há clichê maior que incluir esta citação em um texto sobre grandes rivalidades. Mas, cá entre nós, existe alguma frase que defina melhor um clássico do que esta proferida pelo folclórico poeta Mário Jardel Almeida Ribeiro? Não importa onde: em qualquer lugar do mundo, quando duas equipes rivais se enfrentam, a partida é sempre a mais emocionante da rodada. Seja um mero jogo para cumprir tabela ou a final de um campeonato, o confronto mexe com o ânimo dos torcedores, que lotam o estádio e passam todo o nervosismo para dentro de campo.
Se me pedissem para escrever uma lista com os três maiores clássicos do planeta, escalaria:
-Rangers x Celtic (Escócia) – mais do que um mero jogo de futebol, um embate religioso entre protestantes e católicos;
-Lazio x Roma (Itália) – assim como o exemplo anterior, transcende a barreira futebolística, é uma disputa política entre direita e esquerda;
-Galatasaray x Fernerbahçe (Turquia) – não há confronto em que os jogadores absorvam tanto o clima das torcidas, a tensão dentro e fora de campo é enorme.
Esses três clássicos não carregam o charme de Barcelona x Real Madrid (Espanha) ou Boca Juniors x River Plate (Argentina). E provavelmente não são tão violentos quanto Estrela Vermelha x Partizan (Sérvia) ou West Ham x Millwall (Inglaterra). Porém, na minha balança, a soma da popularidade dos clubes com a tensão entre as torcidas os colocam a frente de todos os outros, inclusive de grandes dérbis brasileiros, como Grêmio x Internacional, Corinthians x Palmeiras e Flamengo x Vasco.
Como amante do futebol, dificilmente perco a oportunidade de assistir a um clássico. Se for no estádio, melhor ainda! Por isso, quando soube que Shamrock Rovers e Bohemian FC – clubes de maior rivalidade na Irlanda – se enfrentariam na noite desta sexta-feira, não hesitei em me deslocar ao Tallaght Stadium (casa dos Rovers) para acompanhar a partida. Vale lembrar que o futebol não é o esporte mais popular do país, então a proporção deste jogo não se compara ao que estamos acostumados no Brasil, por exemplo. Ainda assim, as torcidas praticamente lotaram os 5.700 lugares do estádio.
Assim como na maioria dos estádios pelo mundo, a provocação entre os torcedores rivais foi evidente durante todo o clássico. Orgulhosos pela sua recente trajetória na liga doméstica, os visitantes se vangloriavam do atual bi-campeonato nacional. Do outro lado, os anfitriões citavam seus 15 títulos irlandeses – maior marca entre os clubes do país. Contudo, os gritos de guerra não me empolgaram. A maioria era muito ingênua, mal se ouvia um palavrão ou um xingamento contra o adversário. Não aprovo a violência, mas penso que as torcidas precisam se sentir ofendidas para fazer o estádio ferver e passar esse clima de clássico para dentro do campo.
O jogo, aliás, não foi dos melhores. Basicamente, os times trocaram chutões no meio de campo, numa clara demonstração de escassez técnica. Os passes errados foram a tônica do jogo. De vez em quando, num lance despretencioso ou em uma cobrança de bola parada, as equipes chegavam à meta adversária, mas sem assustar os goleiros. O único gol da partida saiu aos 38 minutos do primeiro tempo. Após cobrança de lateral, o meia Billy Dennehy aproveitou a sobra e cabeceou para o fundo das redes. Gol do Shamrock Rovers, que fez explodir o Tallaght Stadium.
A partida pode não ter sido muito contagiante em função da qualidade técnica, mas compensou pela rivalidade entre as equipes. Os € 10 investidos valeram muito a pena. Assistir a um clássico é sempre emocionante, independentemente da situação. Conheci um estádio novo, acompanhei in loco o confronto entre os dois maiores times da Irlanda e fiz centenas de fotografias. Sem contar que esse jogo é alternativo pra c#&%, e eu curto muito esses passatempos undergrounds! Está de ótimo tamanho!
Abraços a todos!








Felipe, mais uma vez parabéns pelo seu blog. Não comento sempre, mas entro aqui todos os dias pra ler algo novo.
Só queria fazer uma pergunta: pelo nível técnico citado no jogo será que não dá pra juntar 11 brazucas aí e gritar “a de fora é minha” ou “10 minutos ou 2 gols”?
grande abraço…e dia 5 de maio to aí pra te acompanhar nos jogos da irlanda!
denyslobo
abril 10, 2010 em 14:20
Rapaz, digo com certeza que se pegarmos 18 brasileiros daqueles que jogaram na base mas não subiram pro principal (e desistiram do futebol) e montar um time, bem treinadinho, ganhamos frouxo o campeonato irlandês.
Eles são até bem disciplinados e têm um ótimo preparo físico, mas são burros e não têm técnica alguma.
Abraços! E valeu pelo comentário!
F.Pamplona
abril 12, 2010 em 0:12
Maneiríssimo! Quando estive em Dublin, assisti a um jogo de hurling entre Galway e Cork. Sensacional! Fiquei impressionado com a reação da torcida, muito parecida com a do nosso futebol. Mudando de assunto, o mundo do punk ficou mais pobre esta semana. Morreu Malcolm Mclaren, o mentor dos Sex Pistols. Como você disse ser um fã do estilo, a lembrança. Aproveito para citar duas bandas não incluídas por você no seu post: Buzzcocks e The Clash, esta, a minha preferida, que fazia uma mistura surreal de punk e reggae.
Abs,
Rodrigo
Rodrigo Trivellato Garavini
abril 10, 2010 em 18:32
Boas lembranças. The Clash é muito bom mesmo. Mas como o post é específico sobre a California e essas bandas são inglesas, não posso adicioná-las, hehehe.
Aliás, vou baixar a discografia do Clash pra variar um pouco. Vergonheira ter só cinco músicas da banda no computador…
Abraços!
F.Pamplona
abril 12, 2010 em 0:21
Fala xará!
Primeiro comentário em seu blog…. PArabéns, você escreve muito bem.
Venho acompanhando desde o dia que o descobri (quarta, dia 7/4) e desde então vim tirando um pouco do meu tempo pra ler todos os posts.
Estou indo pra Dublin em Junho e é muito legal já ir sentido o clima da cidade.
Pena não estar ai de uma vez pra poder acompanhar esse grande clássico. Discordo um pouco de você quando se trata de clássico nacional. Sou um pouco suspeito pra falar, mas Cruzeiro e Altético é pra mim o maior. E claro, meu Cruzeiro quase sempre leva a melhor. Apesar de cruzeirense louco, gosto muito do Botafogo. Costumo ir aos jogos do glorioso aqui em BH e quando estou no Rio tb. Tenho alguns conhecidos na torcida Fogohorizonte. Chegando ai engrosso um pouco do caldo contra os rivais carioca.
Chegando aí marcamos uma pelada!!
Abraço meu camarada!!
Felipe Bastos
abril 11, 2010 em 2:05
Quero ver ter paciência pra ler esses 29 posts, hein?! Hehehe, valeu pela atenção, meu velho, é motivador saber que tem tanta gente desconhecida acompanhando meu blog. Agradeço mesmo!
E sobre os clássicos, sabia que alguém contestaria minha lista, hahaha! Acho Cruzeiro x Atlético um grande clássico. Um dos maiores do Brasil mesmo, porque polariza o cidade. Porém, penso estar um pouquinho atrás de Grêmio x Inter porque o RS inteiro torce por esses times, ao contrário de Minas, que tem muitos torcedores de fora – por isso, considero o clássico mineiro com o segundo maior do Brasil.
Ah, bora torcer pelo Fogão nessa final! FOOOGOOO!
Abraços!
F.Pamplona
abril 12, 2010 em 0:38
E eu que só fui ao estádio pra ver os jogos do BEC?
Jéssi
abril 12, 2010 em 12:51