Direto de Dublin

Relatos de um jornalista brasileiro na capital irlandesa

Archive for the ‘Dicas’ Category

A ilha sem magia

with 6 comments

Desde o último post, o Direto de Dublin está em clima de mochilão pela Europa. Isso significa que “viagem” continua sendo o assunto da vez. A começar, uma dica aos amigos do Brasil: se pensarem em fazer uma trip pelo Velho Continente descartem logo de cara Dublin e Belfast — capital da Irlanda do Norte. Aliás, nem cogitem vir até a ilha da Irlanda.

Não encarem como uma mágoa com a cidade onde vivi nos últimos seis meses. Longe disso. Fui muito bem acolhido em Dublin, que é uma baita cidade para se morar. Porém, o assunto deste post é turismo. Nesse sentido, as Irlandas deixam muito a desejar.

Dublin é a típica cidade em que você desembarca e se pergunta: “tá, mas vou visitar exatamente o que mesmo?”. A única atração turística de verdade é a fábrica da Guinness. De resto… Bom… Aaahm… De resto, tem o Spire, uma agulha gigante que não representa coisa alguma cravada no centro da cidade; a Oxford Street, um calçadão repleto de músicos pedindo dinheiro; a Ha’penny Bridge, uma ponte que liga as duas margens do Rio Liffey e possibilita o acesso dos pedestres ao outro lado, como qualquer outra ponte; e uma porrada de museus sem graça, que tomam de 10 a 0 das galerias das demais capitais europeias.

Ha'penny Bridge

The Spire of Dublin

Já Belfast é uma mini-Dublin. Além de não ter atrativo algum, resolveram instalar uma cópia fajuta do Spire na catedral da cidade. A imitação é tão tosca que mede apenas 40 metros de altura, 80 a menos que o original. Fora isso, é possível visitar o buraco onde foi fabricado o Titanic (uaaau!) e… acabou. Ah, sim! O maior ponto turístico de Belfast são dois guindastes gigantes pertencentes à empresa Harland & Wolff, que construiu o navio que afundou e virou filme. Aí pergunto: que cidade no mundo tem como grande atração dois guindastes?

The Spire of Hope

Um dos guindastes da Harland & Wolff

No restante da Irlanda existem alguns lugares que os nativos sempre indicam: a cidade de Galway, as ilhas Aran e o Parque Nacional de Wicklow. Há também a casa de verão do Bono Vox, vocalista do U2, em Killiney — acreditem se quiser, a residência do cara é considerada ponto turístico. Sinceramente, apesar dos três primeiros serem bonitos, nenhum deles me faria desviar um roteiro para ir até o país.

Já no interior da Irlanda do Norte há castelos por toda a parte, belas — porém, gélidas — praias e o local mais bonito de toda a ilha: a Calçada do Gigante. Perdida entre falésias enormes, a calçada é um grande conjunto de pedras sobrepostas que formam inúmeras escadinhas. Vou deixar as imagens falarem por si:

Calçada do Gigante, repleta de turistas

Ao lado do mar, cenário animal!

Diogo, eu, Felipão e Tiago

Botafogo around the world

Lá em baixo, a Calçada do Gigante

O lugar é legal pra caramba! Recomendo a visita com toda a certeza. Porém, não creio que valha a pena desviar um mochilão até a ilha para visitar só a Calçada do Gigante e a fábrica da Guinness — duas únicas atrações realmente interessantes das Irlandas. Até porque ambas ficam quase 300 km distantes entre si, ou seja, seria impossível conferi-las no mesmo dia.

E aí, galera de Dublin, o que acham? Concordam comigo ou aconselhariam visitar a ilha?

E o pessoal do Brasil? Considerariam uma boa ideia fazer turismo nas Irlandas?

Abraços a todos!

Written by F.Pamplona

julho 31, 2010 at 1:23

Publicado em Dicas, Experiências

Danger: men in the kitchen!

with 11 comments

Estou de volta! Desta vez para compartilhar conhecimentos e experiências. Esse post é dedicado principalmente aos homens intercambistas que, assim como eu, manjam porra nenhuma de cozinha mas gostam de saborear uma boa comida de vez em quando. Não só isso: ter o prazer de dizer “fui eu quem fiz esse prato sensacional!”.

Seguem duas receitas preparadas por mim e pelo Diogo no almoço de hoje. Pratos simples e baratos; elaborados em conversas com amigos (Paulo e Tia Ana, you’re the best!) e em pesquisas na internet; sem aquele toque especial da mamãe ou da vovó; porém fáceis de ser feitos por qualquer cozinheiro ignorante como este que vos escreve. E detalhe: bons pra caramba!

Coxa e sobrecoxa de frango assados (serve duas pessoas)

*Ingredientes:

-1kg de coxa e sobrecoxa de frango
-3 limões
-1 cebola
-½ cabeça de alho
-Vinagre a gosto
-Sal a gosto
-Água

*Modo de preparo:

Coloque as pernas do frango num recipiente grande (que seja possível cobrir a carne até em cima com tempero). Esprema os limões por cima do frango até sair todo o suco da fruta. Pique a cebola em rodelas e o alho em pedaços. Adicione vinagre e sal a gosto. Complete o recipiente com água até cobrir o frango e misture bem todo o tempero. Leve o recipiente à geladeira e deixe por uma noite, para pegar bem o tempero na carne.

No outro dia, leve o frango ao forno – em uma forma com papel alumínio – em temperatura não muito alta (utilizamos 160º C) por aproximadamente 90 minutos. Se preferir, coloque a água do tempero junto: fica um molhinho supimpa, rapazeada! Vá acompanhando a carne dourar a cada 15 minutos e vire-a apenas uma vez, quando a parte superior estiver bem moreninha. Aí é só servir e detonar!

*Acompanhantes recomendados:

Arroz, farofa (tem pronta pra comprar na lojinha brasileira), maionese…

Vocês não têm noção do cheiro... A casa inteira babou!

Maionese de batata (serve 2 pessoas):

-6 batatas (não muito grandes)
-2 ovos
-3 colheres de sopa de maoinese (Hellmann’s, de preferência)
-3 colheres de sopa de leite
-Sal a gosto
-Cebolinha (se não encontrar, use orégano mesmo) a gosto

*Modo de preparo:

Cozinhe as batatas com bastante sal, até conseguir espetá-las com facilidade; depois descasque e corte em pequenas partes. Cozinhe os dois ovos e, após prontos, separe a clara e pique em pedacinhos – a gema não terá utilidade aqui, então come que é gostoso!

Em um copo, coloque três colheres de sopa cheias de maionese, três colheres de sopa de leite e sal a gosto – bata bastante. Depois misture o resultado com as batatas, gema cozida e cebolinha num recipiente grande. Quando estiver com cara de maionese, sirva junto com aquele frango ali de cima e limpe o prato.

Diliça!

Por enquanto é só, pessoal. Logo, logo posto mais receitas para intercambistas que compartilham da minha ignorância culinária. As próximas serão Patê de Sardinha, Feijoada Tescana e o nosso Tempero Mágico. Vocês não perdem por esperar…

Abraços a todos!

P.S.1: Peço mil desculpas ao pessoal que acompanha o blog por deixá-lo inativo por tanto tempo. Simplesmente não havia assunto, o que estava me torturando, pois um dos meus maiores prazeres é escrever.

P.S.2: BOTAFOGO, Santos e Atlético Mineiro campeões estaduais. O sudeste é alvinegro!

P.S.3: E parabéns aos gremistas pelo Gauchão. Sou mais parceiro dos colorados, mas eles estão muito arrogantes neste ano. Foi um belíssimo cala-boca!

Written by F.Pamplona

maio 3, 2010 at 19:40

Publicado em Dicas, Experiências

Às montanhas!

with 2 comments

Não sei quanto a vocês, mas quando o ar puro adentra meus pulmões sinto uma profunda sensação de alívio. O contato com a natureza recarrega minhas energias e proporciona o ânimo que necessito para encarar os típicos desafios da selva de pedra. Uma longa trilha pode causar um enorme cansaço físico, mas estar cercado pelo verde é um remédio infalível para se libertar das pressões do dia-a-dia – pois uma boa noite de sono cura apenas as dores musculares.

Nessa interminável busca por emprego, rodeado por todas as incertezas e saudades provocadas pela distância, há semanas em que o psicológico não aguenta. É preciso espairecer, arejar as ideias. Então resolvi partir para as Wicklow Mountains, região sul de Dublin. A ideia era basicamente contemplar a natureza e, de quebra, observar Dublin de um dos pontos mais altos da cidade. Ah, claro, levei junto a inseparável FZ28 – companheira de todas as aventuras.

O Wicklow Mountains National Park, como o nome diz, é um parque nacional com 3 mil km² de área que se espalham por quatro condados irlandeses. Visitei apenas a parte norte da região – mais próxima do centro do Dublin. Para chegar é necessário pegar o ônibus 16 (em direção a Kingston) e saltar no ponto final, logo após o Marlay Park. E é a partir daí que começa o grande dilema: como encontrar a entrada do parque?

Bom, se para Londres fui sem planejamento algum, por que me prepararia para as tais Wicklow Mountains? O espírito de aventura era compartilhado pelos parceiros Diogo e Tiago. Eis que simplesmente nos deparamos com uma rodovia e lá ao fundo, no horizonte, víamos as montanhas. Bora seguir a estrada, então! Após metros e mais metros de caminhada num acostamento que levava a lugar nenhum, avistamos um viaduto – boa chance de mudar o rumo e tentar achar alguém para fornecer informações. O problema é que não havia acesso direto ao tal viaduto, que passava uns oito metros acima de nossas cabeças. Não restou alternativa para a equipe de aventureiros: escalar o gabião!

Ao som de Ramones: "Spider-Man, Spider-Man does whatever a spider can..."

Paisagem sobre o viaduto do Homem-Aranha

Palpite correto! Logo após cruzar o viaduto estava a Ticknock Road, estradinha que leva às Wicklow Mountains. A informação foi dada por uma ciclista que passava pelo local. Porém, a gente boa esqueceu de mencionar que o caminho até o topo da montanha tinha nada menos que 4 km. Tá certo, é uma distância tranquila, mas morro acima é sacanagem! Mas valeu pelo cenário…

Bora, guri!

Um aperitivo do que estava por vir

Quase lá...

Após trilhas e mais trilhas, uma visão compensadora, daquelas de fazer esquecer a dor nas pernas após a longa caminhada: Dublin, por inteira, desde o mar até seu interior. Uma perspectiva belíssima, a 540 metros acima do nível do mar, totalmente distinta daquela que faz parte do nosso cotidiano. Não se veem prediozinhos antigos e é difícil até localizar o Spire – mesmo com toda sua altura. Uma compensadora caminhada com total de 12 km…

Finalmente!

irELANd

Lá de cima (fundo pouco definido em função da alta umidade)

Serviço:

O quê: Wicklow Mountains

Onde: Ticknock Road

Como: ônibus linha 16

Quando: dias de céu aberto

Quanto: de graça (local público)

Porquê: contemplar a natureza, observar Dublin de cima, fotografar paisagens…

Abraços a todos!

Written by F.Pamplona

abril 27, 2010 at 3:24

Publicado em Dicas, Experiências

Vida no hostel

with 4 comments

O hostel (também conhecido como albergue) é um tipo de hospedagem bastante comum entre jovens que viajam pelo mundo. A preferência ocorre principalmente em função do preço desses estabelecimentos, muito inferior ao dos hoteis. Nesta primeira semana de Irlanda, optamos por passar nossos dias num albergue até encontrar um aparmento. O escolhido foi o Four Courts Hostel.

Sei que a maioria dos meus amigos nunca teve a oportunidade de dormir algumas noites num lugar como esse. Por isso, para aqueles que pretendem visitar os seis continentes, ofereço um post que conta um pouco mais sobre a vida num hostel. Como esta foi minha primeira experiência com albergues, o texto é baseado principalmente no que tenho vivenciado no Four Courts.

PRIVACIDADE

É em função da falta de privacidade que os hostels têm preços tão baixos quando comparados aos hoteis. No Four Courts, os quartos têm entre duas e 16 camas e os valores variam de € 10 a 50 por diária, de acordo com a data e o tempo de hospedagem. Portanto, sempre haverá muitas pessoas no mesmo espaço – possivelmente de outras nacionalidades.

Hoje, todas as seis camas do nosso quarto estão preenchidas. Há dois irlandeses, um argentino, um australiano, o Diogo e eu. Importante ressaltar que é possível escolher entre quartos masculinos, femininos e mistos. A galera dorme em beliches, amontoa as roupas pelo chão e sempre deixa algo em cima da cama para não perder o posto escolhido. O espaço não é dos maiores, por isso a bagunça reina.

E aí, qual é a minha cama?

Durante a noite, dormimos com a janela aberta. Mesmo com temperaturas negativas do lado de fora, a calefação é tão potente que é preciso deixar entrar um pouco de vento. Em cada cama há um cobertor e um travesseiro, já inclusos no preço.

No nosso hostel, os quartos possuem banheiro próprio, o que é uma mão na roda na hora de se trocar. O chuveiro tem água quente e não há necessidade de esperar para aquecer, basta acionar para a ducha vir pelando. Porém, tomar banho é uma tarefa complicada: para ligar o chuveiro é necessário apertar um botão na parede, que jorra água por apenas 20 segundos. Ou seja, se o hóspede não pressionar continuamente, o sistema simplesmente desliga.

Economia de água se dá pelo cansaço

Isso ocorre porque na Irlanda os habitantes não pagam pela água que consomem em suas casas. Por isso, há uma consciência da população em preservar o líquido. Bem diferente de um lugar que conhecemos…

REFEIÇÕES

Na linha da maioria dos hoteis, diariamente, das 7 às 9h30, temos café da manhã gratuito. No cardápio: pão de fatia, manteiga, geleia de morango, três tipos de cereais, leite e café. Isso, sem falar das quatro torradeiras e da máquina de café, que oferece desde capuccino a chocolate quente de graça durante as duas horas e meia.

Mas essa situação varia de albergue para albergue. No Isaac’s Hostel, por exemplo, existe a opção do café da manhã grátis ou pago. Os hóspedes podem escolher o que melhor convir com seu apetite.

O almoço e o jantar, assim como nos hoteis, têm que ser adquiridos fora do albergue. Porém, é possível trazer a comida e fazer a refeição no living room. Como não pretendemos gastar muito dinheiro, aderimos à moda brasileira em Dublin: Tesco! Um dos supermercados mais baratos da Irlanda, o Tesco vende, em suma, produtos de fabricação própria, de boa qualidade, similares às grandes marcas. Dias atrás, o Diogo, o Eduardo (paulista que chegou a Dublin conosco) e eu compramos pão, queijo, presunto, maionese e uma Coca-Cola de 2l por menos de € 8.

Presunto barato e com cara de ursinho... Que meigo!

AMBIENTE

Nos dois hostels em que estive presente, observei uma grande concentração de hóspedes no living room. Existem algumas razões para isso:

  • é melhor ficar num local com bastante gente diferente do que entocado no quarto;
  • a lei irlandesa não permite beber nas ruas, então é ali que os hostelers consomem suas latas de cerveja;
  • há internet wi-fi disponível, o que atrai uma boa quantidade de usuários de notebooks.

Alguém para me encarar numa sinquinha?

As paredes do hostel também revelam muito sobre a receptividade do local. Por todos os lados é possível ver cartazes com dicas de pubs, passeios e vida na Irlanda. Sem falar do bom humor, característica marcante do Four Courts Hostel. Em uma das paredes do living room há uma pintura deveras engraçada. É impossível não rir à primeira vista e depois tentar identificar todos os artistas.

Bono, Iggy, Bowie, Madonna, Britney, Snoop, Eminem, Kurt, Slash, Ozzy, Manson, Bob, Elvis...

Ah, após algumas horas no living room, ainda é possível conversar com pessoas de várias nacionalidades. Em quase uma semana, passaram franceses, alemães, brasileiros, argentinos, irlandeses, americanos, espanhóis, israelitas e australianos pelo hostel. Uma grande salada cultural.

SEGURANÇA

A segurança no hostel é uma questão de confiança entre os companheiros de quarto. Geralmente, cada hóspede tem, ao menos, duas malas. Uma delas, com a maior parte das roupas, fica na sala de bagagem ou num armário cadeado. A outra, com os artigos mais importantes, permanece com os usuários. Isso ocorre por dois motivos: para ter o essencial sempre ao alcance da mão e para poder guardar a cama.

No Four Corts, há câmeras de segurança em todos os corredores e locais de convivência entre hóspedes, tais como o living room e a sala de bagagens. Nos quartos elas não se fazem presentes, por isso é importante que haja a tal confiança entre os hostelers.

LOCALIZAÇÃO

Outro ponto positivo do Four Courts Hostel é a proximidade com o centro de Dublin. Tranquilamente, os hóspedes podem visitar os locais mais importantes da capital a pé. São apenas 1,3km até o Spire, escultura que demarca a região central.

Mas essa não é uma vantagem apenas do nosso hostel. No mapa abaixo, é possível observar uma quantidade enorme de albergues localizados perto do centro. Os pontos vermelhos marcam os hostels. Os verdes representam o Four Courts e o Spire.

O trajeto básico de todos os dias

No centro de Dublin há, ainda, a maior concentração de ônibus da cidade e uma estação de trem. Ou seja, os hostelers estão a um passo de qualquer lugar da ilha.

Uma boa semana, pessoal. Abraços a todos que tiveram paciência para ler os mais de 6.000 caracteres.

Written by F.Pamplona

fevereiro 1, 2010 at 1:05

Publicado em Dicas, Experiências

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.